A exclusão digital do idoso é um grave problema social brasileiro, já que impede as pessoas de gozarem da plena cidadania. Esse fato, já alarmante na última década, ganha maior destaque a partir da pandemia do novo coronavírus, considerando que a necessidade do distanciamento social levou muitas atividades a serem realizadas somente via internet, como foi o caso de reuniões sociais, aulas, compras, etc. O envelhecimento da população é outro fator que torna ainda mais urgente a discussão da temática da inclusão digital do idoso. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a previsão é de que até 2060 a população idosa, acima de 60 anos, seja equivalente a 60 milhões de habitantes.

Apesar do destaque atual do tema, a inclusão digital do idoso já é discutida há anos, sendo assegurada em diversos documentos nacionais e internacionais. A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou em 2014 que o acesso a internet é um direito humano do século XXI. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 versa sobre o direito a igualdade, independente de qualquer situação ou condição. Um marco importante para a garantia do direito do idoso ao universo digital pode ser encontrado no Estatuto do Idoso (2007), que estabelece no seu artigo 21 que “o poder público criará oportunidade de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e materiais didáticos aos programas a eles destinados”, especificando no § 1º que “os cursos especiais para idosos incluirão conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e demais  avanços tecnológicos”.

Um dos maiores empecilhos para a inclusão digital do público idoso é o que chamamos de Tecnologias da informação e comunicação (TICs). Essas podem ser definidas como o conjunto de técnicas e tecnologias necessárias para conexão as redes sociais e a internet no século XXI. Dizem respeito tanto aos equipamentos, quanto aos programas e aplicativos necessários para o pleno acesso à internet. Assim, para que o idoso faça uso dessas tecnologias é necessário que esse possua equipamentos, como celular e computador, tenha acesso à internet, tenha domínio da linguagem e, principalmente, desenvolva capacidades cognitivas para utilizar as ferramentas. Além desses fatores, muitas vezes, se fazem necessárias ações de apoio constante, já que esse público se sente insegurança no meio virtual com relação a seguridade das informações compartilhadas.